Limpeza e modelagem de canais ovais com 3 sistemas de instrumentação.
O estudo avaliou a capacidade de limpeza e forma (cleaning and
shaping) de 3 sistemas de instrumentos em canais ovalados de dentes vitais
extraídos.
Método: 33 canais distais ovalados de primeiros molares foram
escaneados por micro tomografia. Amostras compatíveis anatomicamente foram distribuídas
em 3 grupos experimentais de acordo com o sistema a ser avaliado.
SAF; RedentNOVA:
Ran’na na a, Israel
TRUShape (Dentsplu Sirona)
XP-endo Shaper (FKG Suíça)
O irrigante usado foi Hipoclorido de sódio a 5.25%.
Após nova imagem de micro-CT, as superfícies não preparadas foram
identificadas e mensuradas, e então avaliadas histologicamente, para verificar
a quantidade remanescente de polpa na raiz.
Resultados:Quando os 4 mm
apicais foram avaliados o SAF exibiu menos áreas das paredes preparadas em comparação
com a XP-endo Shaper, e não houve diferença com os outros sistemas.
A análise de todo o comprimento do canal demonstrou que não houve significância
estatística entre os 3 sistemas testados.
Conclusão:
Não houve diferença significante na quantidade de superfície não preparada
entre os 3 sistemas, exceto entre SAF e XP-endo Shaper nos 4mm apicais. Nenhum
deles conseguiu preparar 100% as paredes dos canais. A capacidade de limpeza
dos 3 sistemas foram similares.
(J Endod 2017;-:1–7)
Artigo: Cleaning and Shaping Oval Canals with 3 Instrumentation Systems: A Correlative Micro–computed Tomographic and Histologic Study
Placas
Estabilizadoras ou Miorrelaxantes Lisas: São geralmente confeccionadas em resina acrílica termopolimerizavel ou em
resina acrílica autopolimerizável podendo ser instalada no arco superior ou
inferior.
Podem ser de cobertura total ou parcial.
As de cobertura parcial cobrem apenas os dentes posteriores (placa de Gelb ) ou
os dentes anteriores (“front “plateau”). A desvantagem dessas placas é que
podem levar à extrusão dos dentes que ficam em infra-oclusão.
Segundo Clark 1984, o aparelho comumente usado para impedir a oclusão dos
dentes é uma placa estabilizadora de cobertura total de acrílico rígido,
ajustada para se obter contatos múltiplos, simultâneos e estáveis com os dentes
antagonistas e com uma guia nos dentes anteriores que permite a desoclusão dos
dentes posteriores nos movimentos excursivos.
Esse aparelho deve ser ajustado semanalmente para acompanha o reposicionamento
da mandíbula em relação cêntrica, o que é conseguido após o relaxamento dos
músculos mastigatórios e a estabilização da ATM.
Nos movimentos de lateralidade os caninos devem desocluir os dentes posteriores
e no movimento protrusivo os dentes anteriores devem desocluir os posteriores.
Indicações:
O objetivo do tratamento é eliminar a má oclusão que
contribui para desordem temporomandibular. Essa placa é indicada para desordens
musculares tais como contratura, espamos e miosites.
Podeser indicada
também para pacientes com sinais e sintomas advindos de trauma oclusal (artrite
traumática), desordens inflamatórias (capsulites, sinuvites), atividades
parafuncionais como bruxismo e apertamento.
Atividades profissinais que induza estresse emocional podem se beneficiar com o
uso dessa placa.
Ajustada para se obter:
-Contatos múltiplos e simultâneos.
(os dentes antagonistas devem tocar na
placa simultaneamente e bilateralmente)
-Estáveis
- Confeccionar guia anterior para protrusão com desoclusão dos posteriores.
- Guia Canina.
Para a confecção do núcleo podem ser empregadas duas técnicas: a direta e a indireta.
Nesse resumo estaremos abordando a técnica direta tanto para dentes
unirradiculares quanto para dentes multirradiculares.
Resumo do livro "Prótese Fixa - Luiz Fernando Pegoraro"
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Técnica Direta – Dente Unirradicular:
A) Prepara-se um bastão de resina acrílica que se adapta ao diâmetro e
comprimento do conduto preparado e que se estenda 1 cm além da coroa
remanescente.
É indispensável que o bastão atinja a porção apical do conduto e que exista
espaço entre ele e as paredes axiais, para facilitar a moldagem do conduto com
resina Duralay.
B) Lubrifica-se o conduto e porção coronária.
C) Molda-se o conduto, levando-se a resina preparada com
sonda, pincel ou seringa Centrix no seu interior e envolvendo o bastão que é
introduzido no mesmo, verificando se atingiu toda sua extensão.
O material em excesso é acomodado no bastão para
confeccionar a porção coronária do núcleo.
Durante a polimerização da resina, o bastão deve ser
removido e novamente introduzido várias vezes no conduto, para evitar que o
núcleo fique retido pela resença de retenções deixadas durante o preparo do
conduto.
Corta-se o bastão no nível oclusal e faz se o preparo da
porção coronária.
A parte coronária do núcleo deve apenas complementar a
estrutura dentária perdida, dando-lhe forma e características de um dente
preparado.
D) A adaptação do núcleo no interior do conduto deve ser
passiva e este procedimento é facilitado empregando-se evidenciadores de
contato no núcleo.
E) Previamente a cimentação o conduto deve ser limpo com álcool absoluto ou
líquidos próprios para esse fim, e seco completamente.
A cimentação pode ser realizada com cimentos de fosfato de zinco ou ionômero de
vidro.
TÉCNICA DIRETA PARA DENTES MULTIRRADICULARES
É possível também confeccionar núcleos em dentes com raízes
divergentes pela técnica direta.
Os procedimentos para o preparo dos condutos e confecção dos
núcleos seguem os mesmos princípios descritos anteriormente.
Uma maneira para obter núcleos pela técnica direta em dentes
com condutos divergentes, é confeccionar inicialmente o pino do canal de maior
volume que irá transpassar a porção coronária do núcleo.
Vista oclusal do molar com os condutos já
preparados
O conduto palatino é moldado em resina
deixando a porção coronal do pino com suas paredes divergentes para oclusal,
lisas e ligeiramente ovaladas.
O pino de resina e as paredes da camâra
pulpar são isolados e faz-se a moldagem do(s) outro(s) conduto(s). Em seguida
faz-se o preenchimento da câmara pulpar com resina para a formação da parte
coronária do núcleo.
Após a polimerização da resina, remove-se
o pino do conduto palatino e prepara-se a parte coronária do núcleo.
Os núcleos intra-radiculares ou de preenchimento estão
indicados em dentes que apresentam-se com a coroa clínica com certo grau de
destruição e que necessitam tratamento com prótese. Deste modo, as
características anatômicas da coroa clínica são recuperadas, conferindo ao
dente preparado condições biomecânicas para manter a prótese em função por um
período de tempo razoável.
As técnicas e os materiais utilizados para reparar a anatomia
dentária variam de acordo com o grau de destruição da porção coronária e se o
dente apresenta ou não vitalidade pulpar.
Dentes Polpados:
Uma regra básica é que, existindo aproximadamente a metade da estrutura
coronária, de preferência envolvendo o terço cervical do dente, pois é essa
região responsável pela retenção friccional da coroa, o restante da coroa
pode ser restaurada com material de preenchimento, usando meios adicionais de
retenção através de pinos rosqueáveis em dentina.
Os materiais que melhor desempenham a função de repor a
estrutura dentinária perdida na porção coronária de um dente preparado são as
resinas compostas, os ionômeros de vidro, e a combinação de ambos, os chamados
compômeros.
Quando após o preparo da estrutura coronária remanescente
chegar-se a conclusão que não existe estrutura suficiente para resistir às
forças mastigatórias, com o risco de ocorrerem fraturas no material de
preenchimento, deve-se realizar o tratamento endodôntico.
Dentes Despolpados:
Restauração com núcleos Fundidos: Nos casos de grande destruição coronária, indica-se o uso de núcleo
metálicos fundidos.
Preparo do
Remanescente Coronário:
Remove-se o cimento temporário contido na câmara pulpar até a entrada
do conduto. É muito importante que se preserve o máximo de estrutura dental
para manter a resistência do dente e aumentar a retenção da prótese.
Após eliminar as retenções da câmara pulpar, as paredes da
coroa preparada devem apresentar uma base de sustentação para o núcleo, com
espessura mínima de 1 mm.
É nesta base que as forças são dirigidas para a raiz do
dente, minimizando as tensões que se formam na interface núcleo metálico/raiz,
principalmente na região apical do núcleo.
Quando não existe estrutura coronária suficiente para
propiciar essa base de sustentação, as forças que incidem sobre o núcleo são
direcionadas no sentido oblíquo, tornando a raiz mais suscetível à fratura.
Nesses casos, deve-se preparar uma caixa no interior da raiz
com aproximadamente 2mm de profundidade para criar-se uma base de sustentação
para o núcleo e assim direcionar as forças no sentido vertical.
Essas pequenas
caixas não devem enfraquecer a raiz nessa região e, portanto, só podem ser
confeccionadas quando a raiz apresentar estrutura suficiente.
Essas caixa quando confeccionadas também irão atuar como elementos
anti-rotacionais.
Preparo Do Conduto:
Existem 4 fatores que devem ser analisados para propiciar retenção
adequanda ao núcleo intra-radicular:
Comprimento: Deve ser igual ou maior que a coroa clínica.
Como regra geral, o comprimento do pino intra-radicular deve atingir 2/3 do
comprimento total do remanescente dental, embora o meio mais seguro, principalmente
naqueles dentes que tenham sofrido perda óssea, é ter o pino no comprimento equivalente à metade do suporte ósseo da
raiz envolvida.
O comprimento adequado do pino no interior da raiz
proporciona uma distribuição mais uniforme das forças oclusais ao longo da raiz
diminuindo a concentração de estresse, e fratura.
O comprimento do pino deve ser analisado com uma radiografia
periapical e levar em consideração a quantidade mínima de 4mm de material
obturador que deve ser deixada na região apical do conduto radicular para
garantir vedamento efetivo nessa região.
Inclinação das paredes do conduto: Os núcleos intra-radiculares com paredes inclinadas, além de
apresentarem menor retenção que os de paredes paralelas também desenvolvem
maior concentração de força em suas paredes, podendo gerar efeito de cunha, e
consequentemente, desenvolver fratura.
Diâmetro do pino: Quanto maior o diâmetro do pino, maior será a sua retenção e
resistência porém, deve ser considerado também o possível enfraquecimento da
raiz remanescente. Em vista disto, têm sido sugerido
que o diâmetro do pino deve apresentar 1/3 do diâmetro total da raiz e
que a espessura de dentina deve ser maior na face vestibular dos dentes
anteriores superiores, devido a incidência de força ser maior neste sentido.
Clinicamente, o diâmetro do pino deve ser determinado comparando-se através de
uma radiografia o diâmetro da broca com o do conduto.
Para que o metal utilizado apresente resistência
satisfatória, é indispensável que tenha pelo menos 1mm de diâmetro na sua
extremidade apical.
Característica superficial do pino intra-radicular: Para aumentar a retenção de núcleos fundidos que apresentam superfícies
lisas, estas podem ser tornadas irregulares ou rugosas antes da cimentação,
usando-se brocas ou jato de alumínio.
PREPARO DO CONDUTO:
A remoção do material obturador é feito com brocas de Gates,
Peeso ou Largo, de diâmetro apropriado ao do conduto.
Deve-se considerar deixar no mínimo 4 mm de material obturador no ápice do
conduto para garantir selamento efetivo na região.
Para dentes
multirradiculares: com condutos paralelos, não é necessário que o
preparo dos condutos apresente o mesmo comprimento. Somente o de maior diâmetro
é levado à sua extensão máxima, ex: 2/3,
e o outro apenas até a metade do comprimento total da raiz-coroa remanescente.
Como os condutos são paralelos, pode-se ter o núcleo com os
2 pinos unidos pela base, que se comportam como dispositivos anti-rotacionais;
assim não é necessário o alargamento e ovalamento dos condutos, buscando-se
atingir o diâmetro mínimo (1mm) para que a liga metálica mantenha suas
características de resistência, evintando assim desgaste desnecessário de
dentina.
Dentes como os pré-molares superiores, que podem apresentar
divergência das raízes, devem ter seu conduto mais volumoso preparado na
extensão convencional (2/3) e o outro preparado parcialmente apenas com o
objetivo de conferir estabilidade, funcionando como dispositivo
anti-rotacional.
Nos dentes multirradiculares superiores com condutos
divergentes e que apresentam remanescente coronário, prepara-se o conduto
palatino até 2/3 da sua extensão, e um dos vestibulares até sua metade (o mais
volumoso deles) e o outro terá apenas parte de sua embocadura preparada. Esta
metade do núcleo se encaixará na porção palatina através de sistemas de
encaixes.
Somente na ausência total do
remanescente coronário, deve-se preparar os 3 condutos divergentes.
Consequentemente, o núcleo resultante deverá ser confeccionado em 3 partes
distintas.
Preparo de núcleo em dente com raizes divergentes.
Os molares inferiores geralmente apresentam sua raiz mesial com condutos
paralelos ou ligeiramente divergentes e raramente exigem divisão do núcleo em
mais que 2 segmentos, pois podem ser tornados paralelos através do preparo.
Resumo do livro "Prótese Fixa - Luiz Fernando Pegoraro"