segunda-feira, 14 de julho de 2014

Diagnóstico da Cárie Dentária.

Cárie Dentária

A cárie dentária é uma doença multifatorial, sacarose-dependente (açúcar-dependente), que se desenvolve a partir de um processo dinâmico e lento, sendo produto direto da variação contínua do pH, que por sua vez desencadeia o mecanismo de desmineralização e remineralização da estrutura dentária de forma desiquilibrada.

Vale ressaltar, que o seu desenvolvimento requer um hospedeiro susceptível, uma microbiota específica e uma dieta cariogênica e interagindo em condições críticas, por um determinado período de tempo.
As características ideais de um método de diagnóstico da cárie são as seguintes: ser confiável, preciso e seguro, capaz de influenciar a escolha do tratamento a ser executado, possuir um baixo custo, ser de fácil utilização diária e aplicável a todos os sítios dentários, diferenciar lesões reversíveis de irreversíveis, superar qualquer risco associado ao seu uso, ser capaz de identificar as lesões incipientes, possibilitar uma melhor reprodutibilidade e evitar a grande variação individual, facilitar o treinamento e calibração dos examinadores, ser acessível e confortável ao paciente. Entretanto um método que reúna todas essas almejadas características não existe, de maneira que deve-se selecionar os meios mais apropriados para cada situação.
Em seu estágio inicial, a lesão de cárie denomina-se de mancha branca e pode apresentar-se nas formas ativa/aguda ou intativa/crônica. Quando em atividade também conhecida como lesão cariosa incipiente, que assume forma branca opaca e rugosa. Neste estágio, a doença possui natureza reversível, sendo fundamental um diagnóstico precoce e preciso. Deste  modo, com a melhora da higiene bucal, alteração da dieta e/ou terapêutica com flúor pode se tornar inativa ou crônica caracterizando-se por uma superfície de esmalte brilhante lisa ou polida.

Os critérios utilizados para a identificação das lesões de cárie inativa e ativa em dentina são os de Miller (1959), que descreve que na lesão ativa a cor da camada superficial é de pigmentação clara com consistência macia, friável (quebrável), massa necrótica; normalmente é sensível ao frio, a doces e a ácidos; o progresso é rápido, geralmente expõe a polpa; o tipo de dentina sob a camada superficial é sensível, descalcificada. Já a lesão inativa possui pigmentação escura,  consistência dura e até mesmo ebúrnea (marfim), seu progresso é lento, intermitente e a dentina subjacente é assintomática, esclerótica e pigmentada.

Frequentemente, a lesão cariosa ativa ao atingir a dentina vem acompanhada de mancha branca ativa nos bordos e rápida progressão. Esta lesão deve receber atenção clínica imediata, de modo que o tecido infectado, mais amolecido, seja removido e a restauração realizada com o objetivo de impedir a progressão da lesão e converter a sua atividade de aguda para lesão menos progressiva (crônica), devendo-se evitar a remoção excessiva do tecido dentinário. Desta forma, o tratamento de uma lesão inativa, consiste no acompanhamento da lesão, ou ainda, na curetagem superficial sem a remoção do tecido escurecido e restauração.

Métodos tradicionais de Diagnóstico da Cárie Dentária

Os métodos mais utilizados pelos CD no diagnósticos das lesões de cárie são os exames visual e tátil, tanto por sua facilidade, como pela sua falta de familiarização com os métodos alternativos. Em seguida, vem a radiografia interproximal e a separação temporária dos dentes com recursos auxiliares ao diagnóstico de lesões de cárie.

Inspeção Visual:

Este método baseia-se no registro de mudanças de coloração e configuração anatômica da superfície examinada, permitindo, com o auxílio do exame tátil, a diferenciação entre lesões ativas e inativas. Contudo, a técnica visual é pouco sensível e incapaz de revelar pequenas lesões proximais, devido ao fato de a visualização desta superfície ser impossibilitada pelo contato anatômico dos dentes adjacentes. Embora, seja possível a observação de uma sombra azul/cinza na superfície oclusal ou no bordo marginal, indicando a presença de uma lesão proximal e/ou oclusal envolvendo dentina.
Para uma boa visualização clínica das lesões é de fundamental importância superfícies dentárias limpas, secas e bem iluminadas. Aspectos como textura, brilho e coloração das lesões são características relevantes para a diferenciação das lesões ativas e inativas.
Em relação as superfícies dentárias livres, a inspeção visual é o método que oferece melhores resultados, pelo fato de, muitas vezes, se tratar de áreas acessíveis à observação clínica, permitindo a fácil visualização de manchas brancas (cárie em estágio inicial).

Corante:
Correspondem a recursos utilizados por CD, para auxiliar a remoção do tecido cariado a ser removido. No entanto, estudos demonstraram que os corantes não são eficientes na diferenciação de dentina infectada (deve ser removida) e afetada (não deve ser removida), podendo corar tecido dentário hígido.

Sondagem:
Durante muito tempo, o sinal tátil de resistência ao se retirar a sonda exploradora era considerado como sinônimo de presença de cárie. Contudo, este procedimento não é mais aconselhável, pois a própria morfologia da superfície oclusal pode reter a sonda, e não devido à presença de cárie, ademais pode fraturar esmalte desmineralizado, favorecer a progressão da doença e transmitir as bactérias de um sítio ao outro.

O uso da sonda exploradora no método visual-tátil de detecção de cárie mostrou-se desaconselhável por ser um procedimento invasivo e transmite microorganismos cariogênicos a outros dentes da cavidade oral.
Quando utilizada, a sonda deve possuir a ponta romba e ser manuseada sem pressão, objetivando a remoção do biofilme superficialmente ao tecido dentário de modo a viabilizar o diagnóstico visual e/ou para tatear o contorno e fundo das cavidades presentes avaliando a possível condição e extensão da lesão.

Radiografia Interproximal:
Em se tratando de lesões cariosas em áreas de difícil acesso, como em superfícies proximais e dentes posteriores, o método tátil-visual apresenta limitações sendo necessário o auxílio da imagem radiográfica, principalmente a radiografia interproximal.

Constituindo este, o método auxiliar de maior fidedignidade para o diagnóstico da cárie proximal, lesões oclusais ocultas, cavidades subgengivais, além de permitir o acompanhamento da progressão da cárie. Mas para um correto diagnóstico, a técnica radiográfica deve ser respeitada, assim como a avaliação da radiografia deverá ter o auxílio de uma boa iluminação, a fim de evitar erros na produção e interpretação da imagem, respectivamente.

Todavia, a radiografia interproximal apresenta baixa sensibilidade para detecção da cárie proximal e oclusal incipientes, uma vez que se faz necessário a perda de certa quantidade de minerais para que a detecção seja possível, logo, percebe-se que as radiografias subestimam a extensão da desmineralização.
O método radiográfico também não é recomendado para diagnóstico de cárie em superfícies livres, por um erro no direcionamento do feixe durante a tomada radiográfica poderá gerar sobreposição de imagens, simulando lesões em dentina.

Separação Dentária:
Trata-se de uma técnica desenvolvida no século XIX, inicialmente realizada por meio de vários aparelhos que produziam o afastamento imediato, todavia a agressão aos tecidos periodontais fez com que paulatinamente fosse sendo substituído por meios de afastamento mediato com os elásticos ortodôntico em que se necessita consulta adicional para visualizar bem a interproximal.

É um método tradicional, bastante conservador, simples, barato e eficiente para o diagnóstico de lesões proximais. Utiliza borrachas ou elásticos ortodônticos, porém requer uma consulta adicional quando se necessita maior afastamento podendo gerar algum desconforto ou exacerbar uma inflamação gengival. Esta alternativa permite uma visualização direta das superfícies afastadas, e consequentemente, a diferenciação de lesões com ou sem cavidade, determinação do seu padrão de atividade e de sua extensão.

Métodos alternativos de Diagnóstico da Cárie Dentária

Dentre as alternativas modernas, encontramos a radiografia digital, o medidor de resistência elétrica, o laser fluorescente e o transiluminador por fibra óptica.

Radiografia Digital:
A radiografia digital permite um melhor monitoramento de lesões proximais, devido a programas de análise de imagens que permitem diagnóstico de mínimas mudanças no padrão de mineralização da lesão cariosa.
Em um estudo realizado com professores universitários, observou-se que os métodos radiográficos convencional e digitalizado, utilizados juntamente com a inspeção visual (foto), não apresentaram diferenças estatisticamente significantes na determinação do plano de tratamento de lesões cariosas oclusais. Deste modo, como a radiografia digitalizada envolve uma tecnologia de alto custo para o profissional, a mesma pode ser substituída pela radiografia convencional.

Laser de Diodo:
Um bom método auxiliar para o diagnóstico da cárie oclusal, incluindo dentes
decíduos, é o sistema de fluorescência induzido pelo laser  diodo (DIAGNOdent  -KaVo). Este sistema apresenta uma alta sensibilidade, porém, baixa especificidade, devendo ser utilizado em conjunto com outros métodos para uma correta decisão de tratamento. O sistema é promissor no monitoramento e diagnóstico de lesões iniciais de  cárie  dentária  em associação  ao  conhecimento  dos  critérios  de  diagnóstico convencional, possibilitando que estas lesões sejam detectadas em uma fase onde métodos preventivos possam ser empregados para inativá-las. Este método também pode ser  indicado para detecção de lesões  de cáries  ocultas,  aferição da total  remoção de tecido cariado em preparos cavitários e controle da recidiva em áreas adjacentes de restaurações (ATTRILL,  ASHLEY, 2001; KOZLOWSKI; KOZLOWSKI JÚNIOR, 2001; ZANET et al., 2006; ZANIN et al., 2007).

Apesar  da  fluorescência  a  laser  representar  a  grande  tecnologia  no diagnóstico de lesão de cárie,  de forma geral,  este método ainda não é utilizado pelos clínicos no Brasil e no mundo, em função do custo, desconhecimento por parte dos  profissionais,  necessidade  de  treinamento  profissional  e  conhecimentos apropriados. Além disso, faz-se necessário a realização de mais pesquisas in vivo que forneçam dados precisos em relação ao que realmente encontramos na clínica diariamente (SANTOS et al., 2003; ZÁRATE-PEREIRA; ODA, 2000).

Transiluminação por fibra óptica
O FOTI (Fiber optic Transilumination) baseia-se no fato de que a estrutura dentária amolecida tem um índice de transmissão de luz mais baixo que o do esmalte sadio e, portanto, a área da lesão é vista como uma mancha escura. Trata-se de um método simples, confortável para o paciente e não invasivo, sendo indicado para o diagnóstico da cárie em lesões em dentina, não apresentando bons resultados para lesões incipientes.

Criado inicialmente para substituir a radiografia interproximal, porém não identifica bem as lesões incipientes.


Medidor de resistência elétrica (ECM)
O método de resistência elétrica serve para diagnosticar lesões dentinárias, sendo mais usado em superfícies oclusais. O ECM tem como principio o fato de que a condutividade elétrica ocorre em função da porosidade e quantidade de água dos tecidos, ou seja, quanto maior for a desmineralização, maior será a presença de poros preenchidos por saliva, e maior será a condutividade elétrica encontrada no esmalte afetado. Apresenta altos índices de sensibilidade, no entanto, seus valores de especificidade são baixos.

domingo, 13 de julho de 2014

EPIDEMIOLOGIA DA DOENÇA CÁRIE

EPIDEMIOLOGIA DA DOENÇA CÁRIE

Conceito: Estuda os fatores que determinam a freqüência e a distribuição das doenças em grupos de pessoas, e a aplicação desse estudo para o controle dos problemas de saúde.

Indicadores de saúde:
- Índices: indicam a freqüência com que ocorrem certas doenças e eventos na comunidade, podendo incluir ou não, uma indicação do grau da severidade da doença.

Os índices são usados em estudos de prevalência e incidência.

-Prevalência: Frequência de casos de uma doença, existente em um dado momento.
É uma medida estática, casos existentes detectados através de 1 única observação.

-Incidência: Frequência com que surgem novos casos de uma doença, num intervalo de tempo.

-Índice: sempre expressa por valores numéricos.

-Indicadores: Podem incluir tanto índices quanto informações qualitativas ex: condições de vida, acesso a serviços de saúde etc..

UM INDICADOR DEVE SATISFAZER OS SEGUINTES CRITÉRIOS:
Aceitabilidade: ser prático e aceitável para o paciente.
Clareza simplicidade e objetividade: memorizar fácil regras e critérios sem perda de tempo.
Pertinência: ter relação com a doença estudada.
Confiabilidade: ser padronizado e confiável para permitir comparações.
Análise estatística: permitir a quantificação numérica e a análise estatística.

ÍNDICE CPO.D (C: cariado, P: perdido, O: obturado/ D: dente)
No índice é possível perceber a história anterior da doença (P.O) e a história atual da doença (Ei: extração indicada e C: cariados).
Obs: os componentes (Ei) + (E) formam no conjunto os dentes “perdidos” (P).

Critérios para exame:
-É considerado como cariado “C”:

1- Que apresenta lesão clínica óbvia. Existe uma cavidade definida, em que o próprio exame visual é suficiente para diagnosticar.
2- Evidência de esmalte socavado.
3- Em sulcos e fissuras com retenção do explorador, desde que exista dentina amolecida ou opacidade de esmalte.
4- Em faces proximais se o explorador prente.
5- Em casos que o explorador penetra entre dente e restauração.
6- Quando houver restauração deficiente com infiltrações ou fraturas.

- É considerado como extraído “P”:
1- Ausente da boca depois do período em que normalmente deveria ter feito sua erupção, em decorrência da doença cárie.

- É considerado como extração indicada (EI)
1- Que apresente cavidades abertas e sinais óbvios de exposição ou morte pulpar;
2- Que apresente lesão profunda, próxima a polpa, em que tudo leve a crer que a polpa será exposta quando se intencionar preparar uma cavidade para posterior restauração.

- É considerado como OBTURADO “O”
1- Apresenta uma coroa artificial em bom estado;
2- Apresente uma ou mais restaurações com material restaurador definitivo (resinas, ionômero, ouro, ligas...) sem reincidência de cárie.

- Observações Importantes:

Dente hígido: é o dente íntegro.
Dente erupcionado:
1- Incisivos e caninos: comprimento da coroa pelo menos = a largura.
2- Pré-molares: toda superfície oclusal exposta.
3- Molar: 2/3 da superfície oclusal exposta.
Não se consideram extraídos os dentes ausentes congenitamente (anodontia) e os extraídos por razões ortodônticas ou em decorrência de acidentes traumáticos.

-Dente ausente: quando decíduo não mais se encontrar na cavidade bucal e o permanente ainda não fez sua erupção. Neste caso o permanente é que está ausente.

- ESCORES:
- Muito baixo: 0,0 s 1,1
- Baixo: 1,2 a 2,6
- Moderado: 2,7 a 4,4
- Alto: 4,5 a 6,5
Exercícios:

C.E.O – ADAPTAÇÃO DO CPO.D PARA DENTIÇÃO DECÍDUA
Representa a média de dentes decíduos para criança:
- C: cariados.
- E: extração indicada.
- O: obturados.
Obs: O máximo c.e.o para criança é 20.

CPO.S – Adaptação do CPO à unidade superfície dentária.
Representa o nº médio de superfícies CPO por indivíduo
Cada dente é considerado como sendo possuidor de 5 superfícies.
O número Max. CPO.S por pessoa é de 140.

IHO.S – ÍNDICE DE HIGIENE ORAL SIMPLIFICADO
Propósito de: 1- Estudar a epidemiologia da doença periodontal;
2- Verificar a eficiência de métodos de escovação;
3- Verificar os efeitos de programas de educação de saúde bucal.
Técnica:
* Utilizar substâncias evidenciadoras de placa bacteriana (Fucsina básica, eritrosina)
* Examinamos apenas algumas superfícies específicas de dentes selecionados:
- São elas: Vestibular do 16, Vestibular do 11, Vestibular do 26, Lingual do 36, Vestibular do 31 e Lingual do 46.

IBV – ÍNDICE DE BIOFILME VISÍVEL

ISG – ÍNDICE DE SANGRAMENTO GENGIVAL.
Tem como função verificar áreas com necessidade de tratamento periodontal e hábitos de higiene dental do paciente.
Técnica: sonda milimetrada + espelho + rolete de algodão.
Sonda deve percorrer de distal para mesial dos dentes de posterior para anterior na região vestibular e lingual.

FATORES QUE INTERFEREM NA EPIDEMIOLOGIA DA CÁRIE:
1 – Idade 2- Sexo 3- Grupo étnico 4- condições sociais.

Idade: correlação positiva entre a doença e idade.
*Períodos alternados: Exacerbação aguda, inatividade, período de progressão lenta.

Sexo: > prevalência no sexo feminino até os 18 anos.
Hipótese: dentição erupciona mais cedo.

Grupo étnico: confundidor, a prevalência independe do grupo étnico.
hábitos semelhantes = prevalência semelhantes.

Condições sociais: não apresenta variações em termos de prevalência
Indica a existência e a eficiência de cuidados de saúde bucal.

ESCORES PARA CPO.D – WHO PARA IDADE DE 12 ANOS:
Muito baixo: 0,0 e 1,1
Baixo: 1,2 a 2,6
Moderado: 2,7 a 4,4
Alto: 4,5 a 6,5
Muito alto: acima de 6,6.

PESQUISA NACIONAL DE SAÚDE BUCAL:
Objetivos:
-Fazer diagnóstico de saúde bucal da população brasileira.
- Traçar comparativo com a pesquisa SB Brasil 2003.
- Avaliar impacto do programa  Brasil sorridente.
- Planejar ações de saúde bucal para próximo ano.

SB BRASIL 2010:
Pesquisa realizada em 177 municípios (26 capitais e o DF, 30 municípios de cada região do país)
Entrevistas e exames bucais em 38 mil pessoas divididas em 5 grupos etários:

- 5 anos (crianças)
- 12 anos (crianças)
- 15 a 19 anos (adolescentes)
-35 a 44 anos (adultos)
- 65 a 74 anos (Idosos).

quarta-feira, 9 de julho de 2014

História da Odontologia



O início da profissão - Idade medieval.
•500-1000 - Durante o início da idade média na europa a medicina, cirurgia, incluindo a odontologia, era comumente praticada por monges.

• 1130-1163 - Uma série de decretos Papais proibem os monges de realizarem qualquer tipo de cirurgia, sangria ou extração dental.
Barbeiros costumavam auxiliar as cirurgias, quando iam aos monastério para raspar a cabeça dos monges, e como as ferramentas dos barbeiros - facas afiadas e navalhas - eram eficientes para cirurgia. Após o decreto, barbeiros assumiram a posição dos monges nos deveres cirúrgicos: sangria, drenagem de abscessos, extração dental etc...

• 1210 - Uma guilda de Barbeiros é estabelecido na França, e são divididos em dois grupos: cirurgiões instruídos e treinados para a prática de cirurgias complexas; e a de "barbeiros-leigos" ou "barbeiros-cirurgiões", quem realizavam serviços de higiene de rotina como barbear, sangrias e extrações dentais.

• 1400s - Uma série de decretos na França proíbem os "barbeiros-leigos" de praticarem procedimentos cirúrgicos exceto sangrias, tamponamento de hemorragias e extrações dentais.

• 1530 - O pequeno livro Médico "All Kinds of Deseases and Infirmities of the Teeth (Artzney Buchlein)", o primeiro livro inteiramente dedicado a Odontologia é publicado na Alemanha. Escrito para barbeiros e cirurgiões que tratavam a boca, seu conteúdo continha tópicos como higiene oral, extração dental, perfuração dental, e fixação de restaurações em ouro.

Fonte: ARCHIVES OF THE AMERICAN DENTAL ASSOCIATION 
HISTORY OF DENTISTRY TIMELINE 
Compiled from various sources by ADA Library/Archives staff

Recursos Humanos

Recursos Humanos




Equipe de Saúde Bucal
- A ESB tem buscado colocar em prática a promoção de saúde e garantir as exigências presentes na constituição federal (art 196) e na lei orgânica da saúde (nº 8.080/90)

Entende-se como Saúde bucal
“Parte integrante e inseparável da saúde geral do indivíduo e está relacionada diretamente com as condições de saneamento, alimentação, moradia...”

Objetivos da ESB
- Construir prática de melhor qualidade;
- Possibilitar melhor atendimento ao usuário;
- Melhorar as condições de trabalho da equipe;
- Reduzir os riscos de exposição aos agentes de trabalho.

Precarização no trabalho em saúde
- De 95 a 2001 o quadro geral da graduação apresentou um grande aumento do nº de ofertas, desigualdade geográfica desta oferta e privatização dos sistemas de ensino.
- Porém isso não resultou em melhores condições de saúde bucal para a população pois esta mão de obra e serviços em sua maioria são:
* Ineficaz, de alto custo, alta complexidade, baixa cobertura, mercantilista e direcionada as elites, mutiladora e curativa.

Recursos Humanos 

Tipos:
-
CD – TSB – TPD – ASB – ATPD –

Cirurgião Dentista

Nível de formação: Universitário
Requísito: 3º Grau completo
Duração: 4 a 5 anos.
Atribuição: Atenção odontológica integral.

Atualmente:
Adaptação do currículo acadêmico a realidade epidemiológica social e econômica do país.

Características do CD formado:
1- Generalista
2- Humanista
3- Crítico, reflexivo
4- Atua em todos os níveis de atenção a saúde
5- Segue princípios éticos e legais
6- Compreende a realidade local, cultural e econômica.

Competências Gerais do CD:
- ATENÇÃO A SAÚDE:
Desenvolver ações de prevenção, proteção e reabilitação, tanto a nível individual quanto coletivo.
-TOMADA DE DECISÕES:
Uso apropriado, eficácia, custo efetividade da força de trabalho, de medicamentos, de equipamentos, de procedimentos e de práticas.
-COMUNICAÇÃO:
- ADMINISTRAÇÃO E GERENCIAMENTO:
Tanto da força de trabalho, dos recursos físicos e materiais e de informação.
- EDUCAÇÃO PERMANENTE:
Aprender continuamente e proporcionar treinamento/estágios.

Técnico de Saúde Bucal:

Nível de formação: técnico ou de nível médio
Requisito: 2º grau completo (2.200 horas)
Duração do curso: 2 anos.
Atribuição: trabalho na boca com atividades reversíveis.
obs: Supervisão direta para atividades clínicas.

TSB pessoal auxiliar que, sob supervisão direta do CD, executa ações reversíveis, tais como:
1- Participar do treinamento do ASB e de agentes multiplicadores das ações de promoção a saúde;
2- Participar nas ações educativas, atuando na promoção da saúde e na prevenção de doenças;
3- Participar na realização de estudos epidemiológicos, exceto na categoria de examinador;
4- Ensinar técnicas de higiene oral e realizar a prevenção de doenças bucais por meio de aplicação tópica de flúor, conforme orientação do CD;
5- Fazer a remoção do biofilme, de acordo com a indicação técnica do CD;
6- Supervisionar, sob alegação do CD, o trabalho dos ASB;
7- Realizar fotografias e tomadas radiográficas de uso odontológico exclusivamente em consultórios e clínicas;
8- Inserir e distribuir no preparo cavitário materiais odontológicos na restauração dentária direta, vedado o uso de materiais e instrumentais não indicado pelo cirurgião dentista;
9- Proceder limpeza e anti-sepsia de campo antes e após os atos cirúrgicos, inclusive em ambientes hospitalares;
10- Aplicar medidas de biossegurança no armazenamento, manuseio e descarte de produtos e resíduos odontológicos;
11- Realizar isolamento do campo operatório;
12- Exercer todas as competências no âmbito hospitalar, bem como instrumentar o CD em ambientes clínicos e hospitalares.

É vedado ao TSB:
1- Exercer atividade autônoma;
2- Prestar assistência direta ou indireta ao paciente sem supervisão do CD;
3- Realizar tarefas fora de suas atribuições;
4- Fazer propaganda dos seus serviços mesmo em revistas, jornais e folhetos especializados da área odontológica.


ASB – AUXILIAR EM SAÚDE BUCAL

Nível de formação: auxiliar o u nível primário.
Requisito: 1º grau completo
Duração do curso: 600 a 800 horas
Atribuição: apoiar o CD/THD, sem autorização para operar diretamente na cavidade bucal.

Inscrição do ASB:
Definitiva:
após apresentação de certificado de qualificação básica, emitido por estabelecimento de ensino, autorizado pelo MEC.
01/01/2006 : registro e inscrição de ACD após apresentação de certificado e qualificação profissional.

Funções:
1- Organizar e executar ações de higiene bucal;
2- Processar filmes radiográficos;
3- Preparar paciente para atendimento;
4- Auxiliar e instrumentar CD/TSB nas intervenções clínicas, inclusive em ambientes hospitalares;
5- Manipular materiais de uso odontológico;
6- Selecionar moldeiras;
7- Preparar modelos em gesso;
8- Registrar dados e participar da análise das informações relacionadas ao controle administrativo em saúde;
9- Executar limpeza, assepsia, desinfecção e esterelização de instrumental, equipamentos odontológicos e do ambiente de trabalho;
10- Realizar o acolhimento do paciente nos serviços de saúde bucal; e
11- Adotar medidas de biossegurança visando o controle de infecções.

É vedado ao ASB:
1- Exercer atividade autônoma;
2- Prestar atividade direta ou indireta ao paciente sem supervisão do CD ou TSB;
3- Realizar tarefas fora de suas atribuições;
4- Fazer propagandas...

O TSB e o ASB tem como obrigações:
Registro no CFO, Inscrição no CRO, pagamento de anuidade CRO.


TPD – Técnico de Prótese Dentária

Nível de formação: Técnico ou de nível médio
Requisito: 2º grau completo
Duração do curso: 2.200 horas de ensino teórico prático
Atribuição: Sob orientação do CD, executa a confecção mecânica dos trabalhos de prótese.

Atribuições:
1- Executar a parte mecânica dos trabalhos otontológicos
2- Administrar laboratório de prótese odontológico;
3- Ser responsável perante o CRO/CFO, pelo comprimento das disposições legais que regem a profisssão;
4- Ser responsável pelo treinamento de auxiliares e serventes do laboratório de prótese odontológica.

Ao TPD é vedado:
1- Prestar sob qualquer forma assistência direta a clientes;
2- Manter em sua oficina, equipamento e instrumental específico de consultório dentário;
3- Fazer propaganda ao público em geral.


ATPD- Auxiliar de Prótese 

Nível de formação: auxiliar ou de nível primário.
Requisito: 1º grau completo
Duração do curso: mínimo 300 horas
Atribuição: sob orientação do protético, auxiliar na confecção mecânica dos trabalhos de prótese odontológica.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Acidentes e complicações nas anestesias locais

SITUAÇÕES CLÍNICAS CAUSADORAS COM MAIOR FREQUÊNCIA DE ACIDENTES E COMPLICAÇÕES NAS ANESTESIAS LOCAIS




Fratura da agulha: 
Acidente atualmente pouco freqüente, devido a utilização de agulhas descartáveis. É na maioria das vezes, um acidente de pequena gravidade, mas que pode preocupar intensamente o paciente e seus familiares. O profissional não preparado para enfrentar essa situação pode-se descontrolar emocionalmente, fato que se for transferido ao paciente chega a criar um ambiente local de pânico.
Causa:
- excesso de pressão lateral sobre a agulha.
- movimentos bruscos do paciente.

Prevenção:
- Na agulha, o ponto de maior concentração de esforços, é na extremidade do intermediário, por isso deixar sempre, uma pequena porção da agulha não imersa nos tecidos, que no caso de fratura nos permite retirar a porção fraturada da agulha usando uma pinça hemostática ou qualquer outro instrumento de apreensão.
Na ocorrência de fratura de agulha podemos nos defrontar com duas possibilidades: o fragmento da agulha permanece visível, podendo ser retirado; e o fragmento não ser visível, permanecendo imerso nos tecidos.
- Na primeira hipótese, é conveniente não deixar que o paciente perceba o ocorrido.
- Na segunda hipótese, comunicar o fato ao paciente, esclarecendo-o que não existem maiores conseqüências, pois o organismo, defensivamente, envolve a agulha com um tecido fibrótico que a imobiliza no local sem desenvolver nenhum tipo de reação. O acompanhamento radiográfico por tomadas feitas no momento, 48 horas, 7 e 30 dias permite comprovar a imobilidade do fragmento da agulha, tranqüilizando o paciente.
A retirada da agulha fraturada por meio de cirurgia está fadada ao insucesso, pois o espaço anatômico é pequeno, as estruturas e músculos e ligamentos assemelham-se á agulha, o sangramento é abundante sendo todos esses aspectos desfavoráveis. E conveniente ressaltar ainda que as seqüelas dessa cirurgia são traumatizantes, podendo mesmo criar dificuldades permanentes a deglutição do paciente. É um procedimento cirúrgico que somente deve ser desenvolvido por quem tenha conhecimento das dificuldades de sua execução.

Hematoma:
São derramamentos de sangue intersticiais decorrente da ruptura da integridade vascular.
A maior incidência de hematomas ocorre na anestesia do nervo mentual e na anestesia posterior ao túber quando a agulha penetra na fossa pterigóidea e romple o plexo venoso pterigóideo, produzindo um sangramento intenso que determina aumento imediato de volume na pele da região. Mais raramente, pode ocorrer na anestesia pterigomandibular e na anestesia infra-orbital.
Nos primeiros dias, o hematoma apresenta um aspecto arroxeado que vai mudando de cor e assumindo uma coloração amarela, tornando-se menos intensa com o passar dos dias, podendo desaparecer, espontaneamente, entre 7 e 10 dias.

Reações alérgicas:
As verdadeiras reações alérgicas são caracterizadas por sinais e sintomas produzidos por alterações que ocorram em órgãos que foram atingidos por essas reações, chamados órgãos-alvo. Quando esse órgão-alvo é a pele, temos o desencadeamento de urticária. Quando o órgão alvo for o sistema vascular e o sistema respiratório, ocorrerão a hipotensão e o broncoespasmo (dificuldade de respirar). Esses fenômenos são mediados por algumas substâncias autoelaboradas como a histamina, as cininas e a serotonina, liberadas por ação antigênica. O choque anafilático é produzido por ação imunológica e envolve, na maioria das vezes, múltiplos órgãos, produzindo gravíssima alteração sobre a função cardiorrespiratória.

- Prevenção: anamnese cuidadosa e bem direcionada, valorizando-se a existência de episódios anteriores de sensibilidade, de qualquer tipo.

Parestesia regional:
É a perda de sensibilidade de uma região anatômica devido a lesão da estrutura do filete nervoso que promove sua sensibilidade. Essa lesão, é em geral decorrente de traumatismo causado do nervo pelo bisel da agulha quando penetra nos tecidos ou quando sai de seu interior se ele tiver se encurvado por traumatismo em estruturas resistentes. Quando o nervo está situado em tecidos moles, tem maior mobilidade e não é, facilmente, lesado pelo bisel da agulha, o que não ocorre com o filete nervoso que emerge dos forames ósseos.

De acordo com a intensidade podemos ter uma parestesia parcial, quando apenas uma porção do feixe nervoso for lesada, ou parestesia total, quando a ruptura do nervo for total.
Tratamento:
- Quanto ao tratamento das parestesias, temos como único recurso o estímulo a reparação tecidual, fazendo fisioterapia local para favorecer a normalização do processo inflamatório desenvolvido e usando por via oral as vitaminas B1 e B12 que apresentam ação farmacológica também sobre o tecido nervoso.

Paralisia regional:
É a perda da contração muscular após a lesão a um filete nervoso motor.
Raras são as possibilidades de lesão em feixe nervoso motor. Sua maior incidência ocorre por falha técnica na anestesia pterigomandibular, quando a agulha é introduzida com demasiada profundidade e ultrapassa a borda posterior do ramo, podendo lesar algum ramo do nervo facial. A paralisia tem seu curso clinico dependente da amplitude do dano causado no filete nervoso.

DOR:
Dois aspectos tem de ser enfocados: a persistência de sensibilidade regional, depois de efetuada a anestesia, e a dor pós-anestésica, ou seja, aquela que surge depois que o efeito anestésico tenha desaparecido.

Persistência de sensibilidade
É a sensibilidade regional que permanece apesar de os nervos que dão sensibilidade à região estarem anestesiados.


-Causas: áreas sede de inflamação, onde, pela alteração do pH ambiental, a ação do anestésico torna-se fugaz, permanecendo efetiva, enquanto o pH da solução não se altera, fato que pode ocorrer em alguns minutos. Entretanto, a permanência da sensibilidade pode ainda acontecer quando a anestesia é feita a distância da região, bloqueando o nervo longe da região inflamada, fato cujas causas ainda não estão suficientemente esclarecidas.
A persistência de sensibilidade pode ser devido à presença, muito rara, em determinadas regiões, de uma inervação colateral advinda de outra área, como, por ex pode ocorrer com a invervação dos molares e do incisivo central inferiores.

Com relativa freqüência, a persistência de sensibilidade pode advir de influências psicossomáticas em pacientes aos quais não foram tomados os cuidados de um preparo psicológico para receberem a anestesia. Alguns pacientes podem estar em tensão nervosa, aos quais comporta fazer uso de medicação pré-anestésica, com a administração de uma droga tranqüilizante (benzodiazepínicos).

Dor pós-anestésica
É a dor que se manifesta após o desaparecimento do efeito anestésico. As causas principais podem ser:

a)      SOLUÇÃO ANESTÉSICA:
- Anisotermia:
a solução deve estar em temperatura próxima a do corpo humano, sendo necessário, nos países muito frios, aquecer o anestésico para evitar choque térmico.

-Anisotonia: a solução anestésica deve ser isotônica com os tecidos.
Não devem ser utilizadas soluções anestésicas com a sua constituição química alterada ou contaminada, aspectos que podem ser constatados pela perda de sua limpidez e transparência.
b)      INSTRUMENTAL:
Dileceração tecidual provocada por agulha com a ponta romba, causa freqüente de lesão ao nervo ao ser retirada dos tecidos.
c)     TÉCNICA:
-Por injeção rápida da solução anestésica;
-Por injeção da solução anestésica no interior da massa muscular;
-Por injeção subperiostal do anestésico.

TRISMO MANDIBULAR:
Impossibilidade de abertura da boca.

As causas podem ser de origem infecciosa e traumática, sendo que esta pode decorrer da injeção do anestésico no interior de um músculo ou, ainda, de se efetuar vários movimentos da agulha no seu interior, desencadeando resposta inflamatória e a contração muscular.

O trismo pode ocorrer, com maior freqüência, na anestesia pterigomandibular, atingindo o músculo pterigóideo medial, e na anestesia pós-túber, quando comprometer o músculo pterigóideo lateral

INJEÇÃO ENDOVASAL DO ANESTÉSICO:
A injeção do anestésico no interior da luz de um vaso pode ocorrer, com maior freqüência, nas anestesias pterigomandibular e mentual. As complicações podem assumir características de acentuada gravidade, interferindo na saúde geral do paciente.

-Prevenção:  Quando injetamos lentamente a solução anestésica, temos possibilidade de detectar a palidez, o mal-estar, a dispnéia (falta de ar), a sudorese e outros sinais que possam indicar a injeção endovasal ainda quando a quantidade de solução injetada for pequena, permitindo que de imediato se suspenda a anestesia, minimizando, assim, os efeitos colaterais.
Para evitar esse acidente, recomenda-se que se utilize uma seringa com dispositivo para aspiração e que se mantenha visão livre sobre o líquido anestésico, pois, em algumas situações, pode haver refluxo de sangue para o interior do tubo anestésico.

LIPOTIMIA
A lipotimia decorre de uma menor irrigação sanguinea no sistema nervoso central, manifestando-se por palidez da face e dos lábios, sudorese, tontura, diplopia (visão dupla) e relaxamento muscular, podendo evoluir para a perda da consciência.
Prevenção: interpretação da anamnese, desenvolvimento da confiança no profissional, evitando-se que o paciente possa ver a carpule, reclinando-se o encosto da cadeira, pelos cuidados de técnica anestésica, uso de seringa de aspiração, e pela utilização, quando necessário de medicamentos benzodiazepínicos no período pré-anestésico.
Tratamento:  colocar o paciente em posição de Trendelenburg, depois de fazê-lo encostar o queixo nos próprios joelhos, fazendo compressão abdominal dos esplâncnicos e forçando o retorno do sangue na corrente circulatória, restabelecendo a normalidade volêmica.


Para obrigar o paciente a desviar sua própria atenção do quadro clínico, fazemos com que ele inspire lenta e profundamente, o que, também, promove maior oxigenação no sangue.

PRECAUÇÕES PARA REDUZIR ACIDENTES E COMPLICAÇÕES NA ANESTESIA
- A seringa deve ser empunhada como se fosse uma caneta, apreensão que permite conduzir melhor a agulha ao local desejado causando um mínimo de traumatismo aos tecidos moles, devido à possibilidade de desviar os músculos dos tendões musculares.

- O bisel da agulha deve estar sempre voltado para o tecido ósseo. Esse simples cuidado impede que a agulha possa penetrar abaixo do periósteo e efetue uma injeção subperiotal do anestésico, que é bastante dolorosa, pois a solução anestésica à medida que é injetada desinsere o periósteo. Além disso, o anestésico, por estar abaixo do periósteo, tem maior dificuldade de se difundir pelos tecidos moles para chegar até a estrutura nervosa.

- Usar seringa Carpule, dotada de sistema que permita aspiração. Essa é uma precaução importante e bem simples para evitar que a solução anestésica seja injetada no interior de vasos sanguíneos.
- O líquido anestésico deve ser injetado lentamente, possibilitando assim uma injeção indolor, pois os tecidos moles são distendidos e causam dor a medida que a solução é infiltrada. A dor causada por uma injeção rápida em alguns pacientes libera adrenalina autogênica que provoca elevação na pressão arterial e na freqüência cardíaca. O tempo ideal para a injeção de um tubete anestésico que contém 1,8 ml de solução deve ser de 3 minutos. Se houver complicação durante a anestesia local, que na maioria das vezes se desencadeia de imediato se a injeção da solução anestésica for lenta, a quantidade de vasoconstritor injetado também é pequena, causando sinais e sintomas não acentuados mas suficientes para serem percebidos por um profissional atento as reações do paciente, que o leva a suspender a injeção do anestésico e iniciar socorro imediato.

- Diante de qualquer manifestação clínica de um acidente durante a anestesia, é obrigatório interromper a injeção do anestésico. É de boa norma que o anestesista mantenha diálogo com o paciente esclarecendo-o sobre possíveis sensações que poderá sentir e que, além de injetar lentamente a solução, fique atento as duas reações para surpreender um acidente anestésico em suas primeiras manifestações.

- Outra precaução é a de nunca introduzir completamente a agulha, deixando sempre uma parte fora da mucosa esse cuidado decorre do fato de que a maioria das fraturas das agulhas ocorre na porção situada na extremidade do intermediário. Atualmente, esse acidente é menos freqüente, devido ao uso de agulhas descartáveis, que não são submetidas a repetidos processos térmicos de esterilização. Na impossibilidade do uso de agulhas descartáveis, deve-se variar os intermediários, sendo que para agulhas longas ou curtas usam-se, respectivamente, intermediários longos e curtos.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Resumo FLÚOR

FORMAS DE USO DO FLÚOR:
Uso sistêmico:
- Água fluoretada: 60% na redução da cárie.
- No Brasil 0,7 ppm de flúor. (1ppm = 1mg/L)
Uso tópico:
autoaplicação: dentifrícios e enxaguantes.
uso profissional: géis e vernizes.


USO TÓPICO:
*Dentifrícios:
Reduz a cárie ao redor de 24%
Colgade: 1.450 ppm (1.450mg/l)
Sorriso: 1450. PPM
Close-up: 1.450 PPM
obs: Para crianças indicar de 500 a 1.100 PPM

*Enxaguantes:
Vantagens: útil em programAs de saúde pública, supervisionado por pessoal treinado.
Uso diário: 225 ppm de Flúor.
Uso diário semanal: 900 ppm de flúor.
Quantidade de 7 a 10 ml.
Contra-indicado para menores de 6 anos.


APLICAÇÃO TÓPICA PROFISSIONAL
GEL:
Basicamente duas formas são utilizadas:
-NaF a 2% (9.000 ppm de Flúor) com pH neutro.
- FFA: Fluorfosfato Acidulado 1,23% (12.300 ppm de flúor), pH ao redor de 3,5 tem sido o mais utilizado devido a maior concentração e ácido formando mais CaF2.
Exceções para indicar esses materiais é em pacientes que apresentam restaurações estéticas (manchamento das restaurações), nesses casos é indicado com pH neutro.
Vernizes:
São produtos de alta concentração, liberam o flúor mais lentamente que os géis, liberação que dura até 12 horas.

- Verniz neutro de NaF, contendo 2,26% de Flúor, equivalente a 22.600 ppm de flúor. (Duraphat, Fluorniz, Duraflou, Biophat) e outro composto de fluorsilano com pH acidulado com 0,1 % de flúor ou seja 1000 ppm de flúor (Fluorprotector)


CONCENTRAÇÕES:
Água fluoretada: 0,7 ppm
Dentifrícios: 1.000 a 1500 ppm.
Enxaguantes:
NaF 0,05% (0,025% de Flúor) 225 ppm F
NaF 0,2 % 900 PpmF
Gel: NaF a 2% (9.000 ppm)
FFA (12.300 ppm)
Vernizes: NaF 2,26% de flúor (22.600 ppm)
Com pH acidulado (1000ppm)

TOXICIDADE DO FLÚOR:
DPT (Dose provavelmente tóxica)
DPT= 5mg F/kg
DCL (Dose certamente Letal)
DCL = 32 a 63mgF/kg
DST (Dose sguramente Tolerada)
DST= 8 a 16 mgF/kg



quarta-feira, 4 de junho de 2014

Índice Periodontal Comunitário (INTPC, CPITN, CPI, IPC)

Índice Periodontal Comunitário (INTPC, CPITN, CPI, IPC)
IPC: Índice periodontal comunitário.
CPI: Community Periodontal Index
INTPC: Índice de necessidade de tratamento Periodontal comunitário
CPITN: Community Periodontal Index of treatment needs

As 4 siglas possuem o mesmo significado.

O CPITN é preconizado pela OMS e FDI para estudos que têm como objetivo conhecer a situação periodontal coletiva e dimensionar os recursos necessários. 

Permite também avaliar resultados obtidos após o desenvolvimento de ações nesta área, indicando a presença ou ausência de sangramento gengival, cálculo supra ou subgengival e bolsas periodontais (rasas e profundas)

Sonda IPC ou CPI:
Para realizar o exame, utiliza-se uma sonda específica, com esfera de 0,5 mm na ponta e  área anelada em preto situada entre 3,5 e 5,5 mm da ponta.



Sextantes:
A boca é dividida em sextantes definidos pelos dente: 18-14, 13-23, 24-28, 38-34, 33-43 e 44-48. 

A presença de dois ou mais dentes sem indicação de extração é pré-requisito ao exame do sextante. Sem isso, o sextante é cancelado. Havendo um único dente presente, é incluído no sextante adjacente. Pelo menos 6 pontos são examinados por dente, nas superfícies vestibular e lingual, abrangendo as regiões mesial, média e distal. A força na sondagem deve ser inferior a 20 gramas (recomenda-se o seguinte teste prático: colocar a ponta da sonda sob a unha do polegar e pressionar até obter ligeira isquemia)



Dentes-Índices
São os seguintes os dentes-índices para cada sextante (se nenhum deles estiver presente, examinam-se todos os dentes remanescentes do sextante):

Até 19 anos: 16, 11, 26, 36, 31 e 46
20 anos ou mais: 17, 16, 11, 26, 27, 37, 36, 31, 46 e 47.


Quanto aos registros, deve-se considerar que:
A)  Em crianças com menos de 15 anos não são feitos registros de bolsas, uma vez que as alterações de tecidos moles podem estar associadas à erupção e não à presença de alteração periodontal patológica.

B)Embora 10 dentes sejam examinados, apenas 6 anotações são feitas: uma por sextante, relativa a pior situação encontrada.

C)Quando não há no sextante pelo menos dois dentes remanescentes e não indicados para extração, cancelar registrando um “X”

São os seguintes os códigos utilizados no CPITN:
0= sextante hígido
1= sextante com sangramento (observado diretamente ou com espelho, após sondagem).
2= cálculo (qualquer quantidade detectada no exame)
3= bolsa de 4 a 5 mm (margem gengival na área preta da sonda)
4= bolsa de 6 mm ou mais (área preta da sonda não visível)